Sexta, 01 Fevereiro 2019 02:15

Nova ferramenta permite rastreio rápido da apneia

Investigadores do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS), no Porto, desenvolveram uma ferramenta "inovadora" que permitirá melhorar o rastreio da apneia obstrutiva do sono e poupar "milhares de euros" em exames.

A investigadora do CINTESIS Daniela Ferreira Santos explicou, esta quarta-feira à Lusa, que a nova ferramenta, disponível online, pode ser usada pelos médicos para calcular automaticamente a probabilidade de alguém sofrer de apneia obstrutiva do sono.

 Para desenvolver esta ferramenta, os investigadores avaliaram cerca de 300 doentes com apneia obstrutiva do sono seguidos no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho. Os resultados revelaram que 63% dos pacientes eram homens e 73% tinham mais de 55 anos, sendo que 23% tinham entre 40 e 54 anos.

Objetivo é fazer triagem e evitar exame caro e desnecessário

O novo método não pretende substituir os exames clínicos. O objetivo é triar os casos, dando prioridade aos pacientes que têm de ser vistos rapidamente pelos profissionais de saúde.

"O objetivo do uso desta ferramenta é fazer uma triagem, identificando as pessoas que provavelmente sofrem desta doença e evitando que as pessoas que provavelmente não sofrem sejam sujeitas a exames desnecessários. Desta forma, podemos diminuir as pessoas que são referenciadas para fazerem o exame", disse a investigadora.

Atualmente, segundo Daniela Ferreira Santos, calcula-se que 34% das polissonografias - o exame tradicionalmente prescrito para diagnosticar apneia obstrutiva do sono - apresentem resultados normais e, portanto, tenham sido realizadas "desnecessariamente".

Em comunicado, o coordenador do trabalho e especialista em inteligência artificial aplicada à saúde, Pedro Pereira Rodrigues, explica que a polissonografia é "um exame dispendioso que exige a presença de técnicos, implica longas listas de espera e está muito limitado às áreas urbanas". De acordo com os dados disponíveis, "cada exame custa cerca de mil euros", acrescenta o CINTESIS.

Além disso, refere o investigador, o novo método "permite detetar doentes com apneia obstrutiva do sono num estádio ligeiro, que poderiam passar despercebidos, de modo que possam ser diagnosticados e iniciar o tratamento o mais precocemente possível".

O grupo de investigação espera que a utilização deste método na prática clínica consiga detetar mais de 90% dos casos de apneia obstrutiva do sono e evite que um em cada cinco indivíduos realize uma polissonografia, com poupanças de milhares de euros em exames, consultas e recursos humanos.

O CINTESIS é uma Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) cuja missão é encontrar respostas e soluções, no curto prazo, para problemas de saúde concretos, sem nunca perder de vista a relação custo/eficácia.

Sediado na Universidade do Porto, o CINTESIS beneficia da colaboração das Universidades Nova de Lisboa, Aveiro, Algarve e Madeira, bem como da Escola Superior de Enfermagem do Porto. No total, o centro agrega cerca de 500 investigadores e conta com sete spin-offs.