Sexta, 01 Março 2019 03:51

Excesso de exames de raios-X e tomografia computadorizada pode fazer mal à saúde

“Doutor, mas o senhor não vai pedir outro ‘raio-X’ ou uma ‘tomografia’ para o meu filho?”. Esta é uma das frases mais ouvidas por pediatras e médicos que atendem nos serviços de emergência. Apesar da boa intenção desses pais ou responsáveis, o uso indiscriminado ou desnecessário de exames que utilizam radiação ionizante – sobretudo em crianças – pode ser um risco à saúde.

 A radiação dos exames de raios-X e tomografia computadorizada (TC), por exemplo, pode provocar resultados indesejáveis nos tecidos humanos quando utilizada de forma inadequada, pois ela tem efeito cumulativo no organismo. Se atingir uma quantidade significativa, pode aumentar o risco de aparecimento de cânceres induzidos por radiação na vida futura. Porém o risco de aparecimento de neoplasia desencadeada por exposição aos raios-X é baixa em relação à incidência natural de aparecimento de câncer na população, que é em torno de 20%. Não existem maneiras de diferenciar potenciais cânceres relacionados à exposição à radiação com cânceres que ocorrem naturalmente.

É por esta razão que os médicos sempre procuram considerar se o exame realmente é necessário ou se é possível obter o diagnóstico por outro método sem radiação ionizante – como os exames clínicos ou, até mesmo, o ultrassom, que não requer radiação alguma. No entanto a não utilização de exames que usam radiação ionizante pode acarretar numa queda na qualidade da saúde da população e queda na longevidade, uma vez que a falta de diagnóstico adequado das patologias pode ser mais maléfica, por mortes ou não tratamento adequado, do que a utilização desses exames.

Comparativos relevantes

Para se ter uma ideia, uma radiografia frontal simples corresponde a um dia inteiro de radiação natural (que pode ser de origem solar – isto é, infravermelha e ultravioleta – ou cósmica); uma tomografia no crânio, a oito meses; e uma tomografia de abdome, a 20 meses. Além disso, a dose de radiação se multiplica de acordo com o número de execuções desses procedimentos.

Engajamento contra o uso indiscriminado de exames radiológicos

A luta para mobilizar os pacientes e as equipes médicas nesse sentido não é recente. Em 2008 o Colégio Americano de Radiologia e a Sociedade Americana de Pediatria lançaram uma Campanha Mundial intitulada Image Gently, visando, justamente, conscientizar a população sobre os potenciais efeitos causados pelos exames radiológicos.